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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A busca incessante da causa






Perdemo-nos nos "porquês" daquilo que nos acontece, situações ou emoções, como se virássemos costas à realidade do aqui e agora (dentro e fora de nós), procurando uma causa ou explicação num passado que já pouco nos pertence.


Esmiuçamos situações muitas vezes para nos depararmos com uma ausência de causalidade que nos aflige e deixa a sensação de que algo de errado se passa connosco.

E ao nos afundarmos nestes porquês, nesta busca que remoemos, deixamos de conseguir dar resposta ao que estamos a vivenciar interna e externamente no momento presente.

Poderá ser um truque da mente, altiva e dominadora, que se perde a cogitar reforçando a sua importância, ainda que cogitar não seja a ferramenta de que precisamos naquele momento. Como se fosse difícil aceitar o que estamos a sentir e pudessemos perguntar apenas - ' O que preciso ou quero fazer com isto que sinto aqui e agora?'.

E talvez seja com esta pergunta, mais assente e aceitante da realidade presente, que surja uma resposta mais adequada e que vá ao encontro da necessidade que subjaz à emoção que encontramos em nós.

É nesta aceitação da vivência do aqui e agora que reganho a autonomia para dar resposta ao que sinto.


Um abraço.

Catarina Satúrio

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Consultas de Psicologia com parceria com Multicare

Porque 2016 pode ser o ano em que cuida de si, nas clínicas onde exerço Psicologia (Lisboa e Carcavelos), existe uma nova parceria com a seguradora Multicare. Desta forma, todos os que queiram iniciar um processo psicoterapêutico e que sejam clientes Multicare terão acesso a um valor de consulta reduzido face ao preço de tabela.

Para marcação de consultas, contacte através do 914420361.

Votos de um ano em pleno.

Catarina Satúrio

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Depressão

DEPRESSÃO

Chorar

O que é?
Segundo António Coimbra de Matos “A depressão é a ausência de esperança, com retirada para o mundo da memória. A antecipação de um porvir estimulante é aniquilada pela vivência da perda sentida como irreparável e insubstituível. Nada ou pouco interessa e dá prazer no presente real e pouco ou nada é imaginado como bom ou apetecível no amanhã.”
Em termos globais, a depressão é uma Perturbação do Humor caracterizada por uma tristeza desadaptada, intensa, prolongada e perturbadora, ausência de prazer e interesse, pessimismo, isolamento, ruminação, falta de energia, insónia ou irritabilidade que podem escalar até doenças psicossomáticas, sintomas psicóticos e impulsos suicidas durante semanas, meses ou anos

Tipologia

  • Depressão Major
Caracteriza-se pela presença de 5 ou mais sintomas durante 2 ou mais semanas:
- Sintomas psicológicos: tristeza profunda, desespero, perda de prazer no dia-a-dia (anedonia), culpa, falta de valor próprio, ruminação, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio e dificuldades de concentração
- Sintomas físicos: variações de peso e apetite, falta de energia, lentificação ou agitação motora, perturbações do sono (insónia inicial ou terminal, hipersónia)


Tem vários subtipos:
1) Psicótica: com delírios normalmente de perseguição, prática de pecados ou crimes imperdoáveis, doenças incuráveis ou vergonhosas. Poderá existir também alucinações auditivas (ouvir vozes acusatórias) ou visuais
2) Catatónica: Lentificação psicomotora severa ou excessiva, desligamento e, em alguns clientes, expressões faciais bizarras, imitação do discurso (ecolalia) ou do movimento (ecopraxia)
3) Melancólica: Perda de prazer em quase todas as actividades, incapacidade em responder a estímulos prazerosos, expressão emocional estática, culpa intensa, acordar madrugador, lentificação ou agitação psicomotora e perda de peso ou anorexia
4) Ansiosa: Sentimentos de tensão e inquietude, dificuldade de concentração devido a preocupação, medo que algo horrível aconteça e de perder o autocontrolo
5) Pós-parto: Quando os sintomas surgem durante a gravidez ou nas 4 semanas após o parto. É muitas vezes acompanhada de ansiedade grave e até ataques de pânico.
6) Sazonal: Quando os sintomas surgem numa altura particular do ano (normalmente Outono ou Inverno) com total remissão noutra. Esta relação temporal deverá ser exibida pelo menos durante 2 anos.
7) Atípica: Humor construtivo perante estímulos positivos mas sensibilidade à rejeição resultando em intensos estados depressivos reativos a situações sentidas como de crítica ou rejeição. Aumento de apetite e de peso, hipersónia. Os sintomas têm tendência a aumentar à medida que o dia decorre
8) Induzida por substâncias ou medicamentos
9) Devido a outras condições médicas


  • Distimia
Quadro com sintomas depressivos de baixa intensidade que persistem 2 ou mais anos.
Tipicamente inicia-se durante a adolescência e tem um percurso discreto durante muitos anos ou décadas
A distimia pode ser acompanhada de forma irregular por episódios de depressão major
As pessoas com distimia são, normalmente, “sombrias”, pessimistas, com pouco sentido de humor, passivas, letárgicas, introvertidas, hipercríticos de si próprios e dos outros e reclamam facilmente.


Comorbilidade
Indivíduos com estados depressivos crónicos, quer seja distimia ou depressão major, têm maior probabilidade de ter perturbações de ansiedade (Ataques de pânico, ansiedade generalizada), perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação bipolar, perturbação pós-stress traumático, perturbações alimentares e de auto-imagem, abuso de substâncias ou perturbações de personalidade (Bordeline, Evitante, Dependente, Narcísica, Histriónica).

Factores de Risco
Existem factores de risco biológicos e ambientais:
  • Factores biológicos
  1. Neuroquímica: baixa Dopamina e Serotonina e desregulação na Adrenalina e Noradrenalina
  2. Hormonal: alterações ao nível do Estrogénio (estimula produção da serotonina); Testosterona (líbido, vitalidade física e psicológica); Progesterona (regula estrogénio); Cortisol (ligada ao stress) e Hipotiroidismo (reduzidas T3 e T4)
  3. Doenças físicas: Epilepsia; AVC; Doença de Parkinson; Esclerose múltipla; Doença cerebral degenerativa entre outras.
  4. Genética: pode explicar até metade da etiologia, mais comum em familiares em 1º grau de clientes depressivos, bipolares e em gémeos verdadeiros
  • Factores ambientais:
  1. Trauma
  2. Abuso físico ou psicológico
  3. Perdas de vários tipos (relacionais, profissionais, etc.)
  4. Mudanças repentinas no contexto de vida
  5. Consumo de substâncias
  6. Isolamento social
  7. Perfecionismo
  8. Baixa auto-estima


Prevalência
A depressão afecta todas as faixas etárias, continuando a ter maior prevalência na idade adulta e é mais frequente em mulheres (2 para 1).
Antigamente, a idade média do primeiro episódio depressivo major situava-se entre os 40 e os 50 anos. Hoje em dia, situa-se na faixa dos 20.
Segundo a European Alliance Against Depression (EAAD), Portugal é o país da Europa com maior taxa de depressão e o segundo maior do mundo (1 em cada 4) e atrás dos USA.

Índice de Mortalidade
Dois terços das pessoas que se suicidam sofrem de depressão na altura da sua morte
Portugal é o terceiro país europeu onde o suicídio mais aumentou nos últimos quinze anos (5 por dia)
Vários estudos afirmam que em 2020, a depressão será a 2ª causa de morte logo a seguir das patologias cardíacas.

Tratamento

A depressão tem tratamento.

Antes de procurar ajuda procure adoptar um estilo de vida anti-depressivo:
- Dieta equilibrada, com alimentos ricos em vitaminas do complexo B (cereais, verduras, feijão, frango e ovos), C (citrinos e vegetais) e Ômega 3 (peixes gordos)
- Exposição solar (vitamina D)
- Dormir 8 horas por dia
- 30 minutos de actividade física diária

Não tenha vergonha de pedir ajuda. A depressão é um problema internacional de saúde pública que pode matar.

Procure ajuda psicoterapêutica. Está cientificamente provada a sua eficácia, existindo várias abordagens possíveis (Cognitivo-Comportamental, Terapia Focada nas Emoções, EMDR, terapia existencial, Mindfulness, entre outras). Como cada caso é um caso, na Psinove privilegiamos um modelo de intervenção integrativo, usando várias abordagens de forma responsiva a cada indivíduo.

Em casos mais graves articulamos com psiquiatria.


Referências

American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5thed): DSM-V. Washington: Author

Coimbra de Matos, A. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi.



Catarina Satúrio
Catarina Barra Vaz


Transtorno Bipolar

DOENÇA BIPOLAR
Perturbação do humor


O que é?
A Doença Bipolar, anteriormente denominada de doença maníaco-depressiva é uma Perturbação do Humor que implica a presença ou história de Episódios Maníacos ou Hipomaníacos, habitualmente concomitantes com a existência de Episódios Depressivos Major (DSM-V, 2013).


Tipologia
Existem três tipos de doença bipolar:
Bipolar I – caracteriza-se pela presença de uma ou mais episódios maníacos, que pode ser precedido ou seguido de episódios hipomaníacos ou depressivos major.
Bipolar II – caracteriza-se pela presença de um episódio de depressão major, precedido ou seguido por um episódio hipomaníaco
Ciclotimia Perturbação do humor crónica e instável que engloba períodos de sintomas hipomaníacos e depressivos que não são em número, intensidade, duração e globalidade suficientes para se enquadrarem num Episódio Maníaco e Episódio Depressivo Major, respectivamente. Para que a Ciclotimia possa ser diagnosticada, é necessário que durante um período de dois anos (um ano para crianças ou adolescentes), a pessoa não esteja isenta dos sintomas por mais de dois meses seguidos e que nos 2 primeiros anos da perturbação, não ocorra nenhum Episódio Depressivo Major ou Maníaco.


Sintomatologia
  • Episódio Maníaco
Estado de humor expansivo, elevado, eufórico ou irritável com aumento de actividade ou energia durante pelo menos uma semana durante o qual ocorrem 3 ou mais dos seguintes sintomas:
- Aumento da auto-estima, sentimentos de grandiosidade
- Diminuição da necessidade de dormir
- Maior necessidade de falar
- Fuga de ideias ou pensamento acelerado
- Distractibilidade
- Grande dedicação a tarefas orientadas por objectivos ou agitação psicomotora
- Envolvimento excessivo em actividades de risco em actividade de prazer, nomeadamente despesas excessivas e sexo
- Perda da noção de realidade, delírios ou alucinações auditivas.


  • Episódio Hipomaníaco
Apenas difere do episódio maníaco na sua duração: mínimo de 4 dias consecutivos.


  • Episódio Depressivo Major
Estado de humor depressivo durante o mínimo de duas semanas acompanhado por 4 ou mais dos seguintes sintomas:
- Diminuição do interesse ou prazer na maior parte das actividades
- Diminuição ou aumento de peso ou apetite, sem estar em dieta alimentar
- Insónia ou hipersónia quase todos os dias
- Agitação ou lentificação psicomotora
- Fadiga ou perda de energia
- Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva
- Dificuldade de concentração
- Ideação suicida


Comorbilidade
Doença Bipolar I - Perturbação de Pânico, Fobia Social, Perturbação por Hiperactividade/Défice da Atenção e Perturbações Relacionadas com Substâncias.
Doença Bipolar II - Perturbação de Pânico, Fobia Social, Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbações Alimentares.
Ciclotimia - Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbações do Sono.


Factores de Risco
Os factores biológicos têm maior peso na ocorrência da Doença Bipolar.
Um desequilíbrio nos níveis de um ou mais neurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina) pode conduzir ao aparecimento da doença bipolar.
Vários estudos demonstram predisposição genética para a doença bipolar sendo este o maior factor de risco. A magnitude do risco diminui com os graus de parentesco: pais, irmãos e avós.
Contudo, factores ambientais como acontecimentos de vida stressantes (morte de uma familiar, desemprego, etc) parecem ter um papel importante no desencadear da doença.


Prevalência e evolução
A Doença Bipolar afecta cerca de 1.5% da população (Jones, 2004) e vários estudos epidemiológicos indicam que a Doença Bipolar ocorre igualmente em homens e mulheres.
Quanto à idade média de ocorrência: 18 anos na Doença Bipolar I, 25 anos na Doença Bipolar II e adolescência na Ciclotimia (nesta última há um risco variável entre 15% a 50% de que a pessoa desenvolva uma Doença Bipolar I ou II)


Tratamento
Sabia que muitos famosos nossos contemporâneos como a actriz Catherine Zeta-Jones, o actor Jim Carey a cantora Rita Lee e o bilionário Ted Turner têm doença bipolar e vivem de forma funcional com a mesma?
A Doença Bipolar é uma condição crónica. Não há nenhum tratamento que a cure por completo mas é possível controlá-la, diminuindo o número de recaídas.
É fundamental o tratamento farmacológico, normalmente estabilizadores de humor como o Lítio, prescritos por médico psiquiatra.
Contudo, segundo Jones (2004) 1/3 dos pacientes continua a apresentar recaídas, apesar do tratamento preventivo com lítio elo que o apoio psicológico, individual e familiar é essencial na adaptação à doença.
A Psicoeducação pode fornecer às famílias, cuidadores e aos doentes informações sobre a doença e respectivo tratamento, tendo como objectivo a aceitação da doença e tratamento. A Psicoeducação adquire igualmente importância na adesão à medicação, o evitamento do abuso de substâncias e a identificação de sintomas de recaída.
A terapia cognitivo-comportamental em doentes com Doença Bipolar reduz o número de recaídas nos episódios maníacos, nos episódios totais e nos episódios hipomaníacos bem como uma diminuição do número de episódios de depressão, mania e hipomania.
A terapia familiar (TF), pretende melhorar o conhecimento sobre a doença, realçar o funcionamento global do paciente, assim como focar a forma de lidar com o stress, verificando-se com esta terapia um aumento da adesão à medicação. O método utilizado pela TF envolve fases de avaliação, educação sobre a doença, aperfeiçoamento das capacidades de comunicação bem como da capacidade de resolução de problemas, com a família.


Referências
American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5thed): DSM-V. Washington: Author
Jones, S. (2004). Psychotherapy of bipolar disorder: a review. Journal of Affective Disorders, 80, 101-114.
Catarina Satúrio

Catarina Barra Vaz