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segunda-feira, 13 de março de 2017

Ataque de Pânico - o medo de ter medo

Medo de ter medo



O medo de ter medo. Talvez esse seja o mais impeditivo de se viver a vida que se quer. Não as grandes coisas, os grandes feitos, viagens ou conquistas. É quando o medo se entranha no costumeiro, na vida comum, no ir ao supermercado ou ao cinema. É aqui, precisamente nestas pequenas coisas que fazem parte do dia a dia que o Pânico mais se faz sentir na sua vertente castradora e impeditiva.

Para isso não é preciso que nalgum destes sítios tenha experienciado um ataque de pânico. Basta o que estes sítios possam representar - a impossibilidade de fuga, a crítica por serem coisas que todos fazem, a presença do outro que assiste ao seu ataque de pânico.
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É na antecipação do pânico que começa a surgir o evitamento. O medo de ter medo. É aqui que o Pânico se torna nesta massa disforme e densa que a todo o custo quer evitar - tendemos para fugir do desagradável, o que aqui significa fugir das situações onde o pânico possa surgir.

É exactamente quando o pânico se torna nesta massa disforme e densa, que mal surge incita à fuga, que perde um importante contacto com a realidade - o de estar em contacto com o que surge dentro de si.

Se não fugir mal surgem os primeiros sintomas físicos do pânico, se puder adoptar a postura do observador do que se passa internamente consigo, o que observa? Como se pudesse apenas ser curioso acerca destes sintomas e destas emoções, sentindo-lhe os cambiantes, a forma como o coração dispara, se aperta, talvez ate acalme por uns segundos. O suor nas suas mãos, quem sabe a visão em túnel e a tontura.

Se se permitisse conhecer a "besta", aquela de que foge, ao invés de mergulhar nela ou fugir aos primeiros sinais, o que mudaria? Talvez o medo de ter medo.

Com certeza que expor-se desta forma ao pânico não é tarefa fácil - implica também um processo psicoterapêutico, aceitação e capacidade de se colocar na posição de observador (de sintomas, emoções e pensamentos). E não será também o que lhe pode permitir regular-se, perceber o gatilho, questionar-se o que precisa naquele momento para o que está a sentir?

Este caminho de curiosidade pode ser feito no seu processo psicoterapêutico.

Caso queira agendar uma consulta, pode contactar-me através do 914420361.

Um abraço.

Catarina Satúrio

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Lentes que distorcem a realidade

É a forma como percepcionamos a realidade, e não a realidade em si, que desencadeia as emoções e os comportamentos face a uma situação.

A esta percepção, gosto de chamar lentes que nos filtram a realidade. Como se ao longo da nossa existência fossemos somando lentes às armações vazias com que nascemos. Tal como numa consulta de oftalmologia onde vamos adicionando e experimentando as lentes que melhor nos filtram na realidade.

Claro está que estas lentes (que bem entendido não questionamos e julgamos como verdade absoluta sobre nós e sobre o mundo) foram em tempos defesas e percepções adequadas à realidade vivida.

Imaginemos uma criança que experimenta uma relação com os Pais em que é alvo de críticas constantes sobre o seu desempenho escolar. Facilmente poderemos perceber que crie um auto conceito de ser incapaz em tarefas cognitivas. Poderá também adoptar uma postura de perfeccionismo e intolerância à falha  como defesa desta crítica que tanto lhe doi. Teremos então uma criança que cresce com duas lentes nas suas armações - a de incompetência e a da exigência, que não questionará ao longo da sua existência ainda que lhe cause dano, que seja desligada da realidade e que faça com que a experiência de errar extrapole o erro em si e se alastre para esta noção de ser incapaz.

A experiência emocional daquele erro é de tal forma avassaladora, pois já não se cinge a ele, que acarreta a noção de falhar sempre, de auto critica severa.

Claro está que muitas outras lentes poderiam ter sido adoptadas por aquela criança. Poderia ter desinvestido, desvalorizado as experiências intelectuais por se julgar como incapaz de as cumprir, desistir perante qualquer caminho que percepcionasse como exigente de capacidades cognitivas que julgava não possuir.

Ainda assim, qualquer das lentes que tivesse adoptado, ainda que possamos entender e até empatizar com a razão pela qual foram escolhidas (de certa forma minimizar o sofrimento relacionado com a crítica parental), não seriam já necessárias perante a realidade actual, tornando-se disfuncionais e causadoras de comportamentos desadequados face à realidade hoje vivida. Seriam igualmente causadoras de sofrimento, quando na sua génese seriam protectoras.

Certamente esta será uma análise simplista daqueles que podem ser os pensamentos automáticos e os sistemas de crenças que os acompanham. Ainda assim, julgo importante que possa de certa forma compreender a existência destas lentes e as possa questionar.

No processo psicoterapêutico com uma abordagem cognitiva comportamental, e noutras abordagens que se querem integrativas, o reconhecimento e identificação destes Pensamentos Automáticos, dos Sistemas de Crenças e das Distorções Cognitivas, são parte do que leva à mudança no sentir e no fazer.

Desafio-o hoje a dar-se conta, aqui e agora, destas lentes. E porque não, a trabalhá-las num processo psicoterapêutico.

Um abraço.

Catarina Satúrio


Quem sou?

Quem sou?

Quem sou sem os outros? O que é meu e o que é do outro? Do que me impeço pelas expectativas que julgo que os outros, o mundo têm de mim?

Quando me dou conta, sem julgamento, sem crítica, do que sou, do que me move, apenas aí poderei definir a resposta à próxima pergunta existencial - Para onde vou?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Técnicas de Desfusão Cognitiva ou como lidar com os pensamentos perturbadores

"Penso, logo existo". Descartes referia-se ao acto de pensar e não ao pensamento, porém confundimos hoje o ser que pensa com o pensamento que produz, identificando-nos com crenças, juízos ou pensamentos automáticos que fomos construindo, alguns como forma de defesa. 

E é nesta fusão com o conteúdo dos pensamentos que reside parte da nossa ansiedade, da nossa deturpação no olhar para quem realmente somos. Como uma lente, a identificação com os pensamentos que produzimos, afasta-nos da realidade, essencialmente daquela que nós somos, e impede-nos muitas vezes de responder ao mundo de forma adequada. 

Mas como gerir estes pensamentos que por vezes nos assolam, afligem, criam cenários ou considerações sobre nós e o mundo?

As técnicas de desfusão cognitiva utilizadas pela ACT, potenciam a nossa capacidade de ver os pensamentos como objectos exteriores a nós, promovendo a desidentificação com o conteúdo dos pensamentos e, consequentemente, diminuindo as emoções e os sintomas físicos a eles associados.

1º Exercício - observar o pensamento, criando espaço entre o observador e o conteúdo pensado:

Intencionalmente, traga a mente para um pensamento que o incomode com alguma frequência, impedindo-o até de se relacionar de forma mais plena com o mundo que o rodeia. Poderá ser um pensamento negativo sobre si, como:

“Eu não sou amado”
a) Silenciosamente, diga este pensamento para si próprio, convicto da sua veracidade, e notando os efeitos que este pensamento tem.

b) Tente agora ter o mesmo pensamento, mas dizendo antes:

“Eu estou a ter o pensamento que não sou amado.

c) E, por último, traga o mesmo pensamento à sua consciência precedido pela frase:

“Eu reparo que estou a ter o pensamento de que…”

Talvez possa notar um distanciamento e uma diminuição nas emoções relacionadas com o pensamento que o perturbava. Ou talvez apenas possa notar que é o observador desta sua produção mental. Agora criou o espaço entre si e o seu pensamento que pode permitir-lhe questionar esta crença.

2º Exercício - Cantar os pensamentos:
Outra possibilidade para criar distância dos pensamentos é:

a) Pensamento X

b) Cantar o pensamento X com o mesmo ritmo que você canta “Parabéns para você”.

Repare como dessensibiliza ou retira a carga emocional do pensamento que elicitou.  

3º Exercício - Comer o pensamento

a) Foque-se no pensamento perturbador e tente encontrar uma palavra que o represente.

b) Visualize essa palavra numa tela à sua frente.

c) Transforme cada letra da palavra em algodão doce, permitindo-se depois comer letra a letra.


Espero ter criado uma primeira curiosidade sobre como lidar com os pensamentos, mas acima de tudo tê-lo feito questionar a identificação que faz com os conteúdos  dos seus pensamentos.

Porque terapia não é apenas uma conversa, mas também instalação de recursos que promovam o seu 
bem estar.

Um abraço.

Catarina Satúrio

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ataques de Pânico


Um ataque de pânico é a aparição repentina de uma avassaladora sensação de ansiedade e medo atingindo o seu pico ao fim de 10 minutos e atenuando em 20 ou 30 minutos.
Os sintomas mais referidos são:
Ritmo cardíaco acelerado
Sensação de desmaio
Dificuldade em respirar ou hiperventilação
Sensação de estar a morrer
Medo intenso de enlouquecer ou de perder o controlo
Dor ou desconforto na zona do peito
Tremores
Sensação de despersonalização (como se o corpo não lhe pertencesse) ou de desrealização.
Náuseas
Dormência ou formigueiro nas mãos, braços, pernas ou pés
Sensação de frio ou calor intenso
Se não forem alvo de intervenção, podem originar uma Perturbação de Pânico e/ou outros problemas como o isolamento social. Quanto mais rapidamente procurar ajuda, melhor o prognóstico de intervenção e recuperação.
Como acontecem os ataques de pânico
A verdade e que todos temos uma resposta física ao stress.
Podemos sentir-nos ansiosos quando surge um problema no nosso local de trabalho, quando temos um exame na escola ou uma decisão importante a tomar. Porem, para alguém que tem ataques de pânico, estas pressões externas despoletam reações físicas intensas, como se estivessem a ser atacadas por um leão. A adrenalina dispara e o corpo e a mente têm uma resposta de fuga ou ataque face ao perigo percebido.
Contudo os ataques de pânico são duplamente assustadores dado que não existe um perigo real que os provoque e, assim sendo, podem acontecer a qualquer momento e em qualquer situação.
Ao longo do tempo, muitas das pessoas que sofrem de ataques de pânico revelam ter desenvolvido “medo de ter medo” de ter outro ataque de pânico. Tal pode inibir a normal realização das suas retinas e diminuir seriamente a sua qualidade de vida. No extremo, algumas pessoas recusam-se a sair de suas casas ou a regressar a locais onde já tiveram um episódio de pânico.
Os ataques de pânico podem ocorrer apenas uma vez, no entanto, muitas pessoas relatam repetidos episódios. Os ataques de pânico recorrentes muitas vezes são accionados por situações específicas como atravessar uma ponte, falar em público ou ficar sozinho/a inesperadamente – especialmente se essa situação já provocou anteriormente um ataque de pânico. As características de uma situação indutora de pânico são situações em que nos sentimos em perigo e somos incapazes de sair dela.
É comum o aparecimento de ataques de pânico em etapas de mudança na vida das pessoas como mudar de escola, entrar no mercado de trabalho, mudar de país, casar ou ter filhos. Situações geradoras de muita ansiedade como a morte de uma pessoa próxima, o aparecimento de uma doença grave, divórcio ou perda de emprego podem activar um ataque de pânico.
O Verão pode ainda ser uma estação predominantemente relacionada com os ataques de pânico, como mostram vários estudos, uma vez que as temperaturas elevadas podem despoletar vários dos sintomas a eles associados (como o aumento do ritmo cardíaco e a sensação de falta de ar).
Alguns catalisadores dos Ataques de Pânico:
Ansiedade Antecipatória: A sua mente está focada num evento passado traumático e o seu corpo responde como se esse evento estivesse a acontecer neste momento.
Visualização auto-destrutiva: Pode temer perder o controlo da situação presente. Interpreta a situação como potencialmente perigosa e o seu corpo segrega adrenalina preparando-se para lidar com o perigo.
O seu corpo em alerta. O cérebro envia uma mensagem ao seu corpo para protege-lo face ao perigo percebido. Assim, o seu ritmo cardíaco aumenta para que o sangue circule mais rapidamente até aos seus órgãos vitais, a respiração acelera para oxigenar o sangue que circula e os seus músculos tensionam-se para que possa mover-se mais rapidamente.
A sua mente fica presa aos pensamentos catastróficos. Em vez de reagir no sentido de resolver o problema percepcionado, fica preso no perigo percebido e incapaz de deixar o medo ir.
A sua respiração acelera. Durante um ataque de pânico, a sua respiração acelera para que possa ter mais oxigénio disponível para o sangue. Neste processo, os seus pulmões exalam mais dióxido de carbono do que o produzido pelas suas células, diminuindo os níveis de dióxido de carbono no sangue e no cérebro.
O que pode fazer?
Aprender sobre o pânico – Recolher informação sobre este tipo de condição ajudar bastante a relacionar-se com a ansiedade e o medo.
Evitar cigarros e cafeína – Estes dois produtos podem provocar ataques de pânico em pessoas susceptíveis.
Aprender a controlar a respiração – A hiperventilação que sente durante um ataque de pânico promove muitas das sensações que o acompanham (tonturas, aperto/dor no peito). Uma forma de controlar esses sintomas é através da respiração, controlando a entrada e saída de ar e equilibrando os níveis de oxigénio e dióxido de carbono no corpo.
Praticar técnicas de relaxamento – Se tiver experiência de prática de yoga, meditação ou técnicas de relaxamento muscular progressivo poderá utilizá-la para fornecer ao corpo a indicação para relaxar em vez de entrar em ansiedade. Irá sentir não só um aumento de relaxamento, como sensações de bem-estar e de plenitude. Encontre espaço para estas práticas diariamente
Se nada disto melhorar os ataques de pânico: procure um psicólogo!
Existem várias técnicas/abordagens eficazes na intervenção com ataques de pânico, nomeadamente:
Terapia Cognitivo-Comportamental – Foca-se nos seus padrões de pensamento e naqueles que poderão estar a contribuir para a ansiedade, promovendo formas mais adaptativas de pensar/agir quando está a ter um ataque de pânico ou em situações de ansiedade intensa. Normalmente são identificadas as situações ou comportamentos que iniciam os seus ataques de pânico (acontecimento gatilho) e os comportamentos que os mantêm. Esta abordagem ajuda a olhar o medo e a ansiedade de uma forma mais realista e menos assustadora.
Terapia de exposição para ataques de pânico – Nesta abordagem (que pode e deve ser complementada com a anterior), será exposto/a às condições e sensações físicas do ataque de pânico num ambiente controlado e seguro para que seja possível aprender estratégias para lidar com o ataque de pânico. Pode-lhe ser pedido que respire muito depressa para simular a hiperventilação, que abane rapidamente a cabeça para simular a sensação de tontura e permitir que se habitue a lidar com as sensações físicas do ataque de pânico. Imaginar determinados locais ou acontecimentos potenciadores de um ataque de pânico pode também ser uma das formas de trabalhar a forma como vai lidando com ele, até ser efectivamente levado a esses locais, no final da terapia de exposição e com todas as estratégias aprendidas entretanto.

Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular (EMDR) Através desta abordagem são atingidos resultados rápidos tanto sobre os episódios potencialmente traumáticos vividos como nos “gatilhos” que promovem os ataques de pânico.

Catarina Satúrio

Transtorno Bipolar

DOENÇA BIPOLAR
Perturbação do humor


O que é?
A Doença Bipolar, anteriormente denominada de doença maníaco-depressiva é uma Perturbação do Humor que implica a presença ou história de Episódios Maníacos ou Hipomaníacos, habitualmente concomitantes com a existência de Episódios Depressivos Major (DSM-V, 2013).


Tipologia
Existem três tipos de doença bipolar:
Bipolar I – caracteriza-se pela presença de uma ou mais episódios maníacos, que pode ser precedido ou seguido de episódios hipomaníacos ou depressivos major.
Bipolar II – caracteriza-se pela presença de um episódio de depressão major, precedido ou seguido por um episódio hipomaníaco
Ciclotimia Perturbação do humor crónica e instável que engloba períodos de sintomas hipomaníacos e depressivos que não são em número, intensidade, duração e globalidade suficientes para se enquadrarem num Episódio Maníaco e Episódio Depressivo Major, respectivamente. Para que a Ciclotimia possa ser diagnosticada, é necessário que durante um período de dois anos (um ano para crianças ou adolescentes), a pessoa não esteja isenta dos sintomas por mais de dois meses seguidos e que nos 2 primeiros anos da perturbação, não ocorra nenhum Episódio Depressivo Major ou Maníaco.


Sintomatologia
  • Episódio Maníaco
Estado de humor expansivo, elevado, eufórico ou irritável com aumento de actividade ou energia durante pelo menos uma semana durante o qual ocorrem 3 ou mais dos seguintes sintomas:
- Aumento da auto-estima, sentimentos de grandiosidade
- Diminuição da necessidade de dormir
- Maior necessidade de falar
- Fuga de ideias ou pensamento acelerado
- Distractibilidade
- Grande dedicação a tarefas orientadas por objectivos ou agitação psicomotora
- Envolvimento excessivo em actividades de risco em actividade de prazer, nomeadamente despesas excessivas e sexo
- Perda da noção de realidade, delírios ou alucinações auditivas.


  • Episódio Hipomaníaco
Apenas difere do episódio maníaco na sua duração: mínimo de 4 dias consecutivos.


  • Episódio Depressivo Major
Estado de humor depressivo durante o mínimo de duas semanas acompanhado por 4 ou mais dos seguintes sintomas:
- Diminuição do interesse ou prazer na maior parte das actividades
- Diminuição ou aumento de peso ou apetite, sem estar em dieta alimentar
- Insónia ou hipersónia quase todos os dias
- Agitação ou lentificação psicomotora
- Fadiga ou perda de energia
- Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva
- Dificuldade de concentração
- Ideação suicida


Comorbilidade
Doença Bipolar I - Perturbação de Pânico, Fobia Social, Perturbação por Hiperactividade/Défice da Atenção e Perturbações Relacionadas com Substâncias.
Doença Bipolar II - Perturbação de Pânico, Fobia Social, Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbações Alimentares.
Ciclotimia - Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbações do Sono.


Factores de Risco
Os factores biológicos têm maior peso na ocorrência da Doença Bipolar.
Um desequilíbrio nos níveis de um ou mais neurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina) pode conduzir ao aparecimento da doença bipolar.
Vários estudos demonstram predisposição genética para a doença bipolar sendo este o maior factor de risco. A magnitude do risco diminui com os graus de parentesco: pais, irmãos e avós.
Contudo, factores ambientais como acontecimentos de vida stressantes (morte de uma familiar, desemprego, etc) parecem ter um papel importante no desencadear da doença.


Prevalência e evolução
A Doença Bipolar afecta cerca de 1.5% da população (Jones, 2004) e vários estudos epidemiológicos indicam que a Doença Bipolar ocorre igualmente em homens e mulheres.
Quanto à idade média de ocorrência: 18 anos na Doença Bipolar I, 25 anos na Doença Bipolar II e adolescência na Ciclotimia (nesta última há um risco variável entre 15% a 50% de que a pessoa desenvolva uma Doença Bipolar I ou II)


Tratamento
Sabia que muitos famosos nossos contemporâneos como a actriz Catherine Zeta-Jones, o actor Jim Carey a cantora Rita Lee e o bilionário Ted Turner têm doença bipolar e vivem de forma funcional com a mesma?
A Doença Bipolar é uma condição crónica. Não há nenhum tratamento que a cure por completo mas é possível controlá-la, diminuindo o número de recaídas.
É fundamental o tratamento farmacológico, normalmente estabilizadores de humor como o Lítio, prescritos por médico psiquiatra.
Contudo, segundo Jones (2004) 1/3 dos pacientes continua a apresentar recaídas, apesar do tratamento preventivo com lítio elo que o apoio psicológico, individual e familiar é essencial na adaptação à doença.
A Psicoeducação pode fornecer às famílias, cuidadores e aos doentes informações sobre a doença e respectivo tratamento, tendo como objectivo a aceitação da doença e tratamento. A Psicoeducação adquire igualmente importância na adesão à medicação, o evitamento do abuso de substâncias e a identificação de sintomas de recaída.
A terapia cognitivo-comportamental em doentes com Doença Bipolar reduz o número de recaídas nos episódios maníacos, nos episódios totais e nos episódios hipomaníacos bem como uma diminuição do número de episódios de depressão, mania e hipomania.
A terapia familiar (TF), pretende melhorar o conhecimento sobre a doença, realçar o funcionamento global do paciente, assim como focar a forma de lidar com o stress, verificando-se com esta terapia um aumento da adesão à medicação. O método utilizado pela TF envolve fases de avaliação, educação sobre a doença, aperfeiçoamento das capacidades de comunicação bem como da capacidade de resolução de problemas, com a família.


Referências
American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5thed): DSM-V. Washington: Author
Jones, S. (2004). Psychotherapy of bipolar disorder: a review. Journal of Affective Disorders, 80, 101-114.
Catarina Satúrio

Catarina Barra Vaz