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sexta-feira, 17 de março de 2017

Estratégias Eficazes para Combater a Ansiedade

Aceite a Ansiedade

Aceitar a ansiedade como algo que neste momento está presente na sua vida coloca-o numa posição de poder regulá-la quando surgir. Ao mesmo tempo, é o que permite que pare de adiar a sua vida para quando se sentir melhor.
Em vez de reprimir a ansiedade, negando-a e evitando-a, procure olhá-la de frente e questionar-se o que precisa para que se sinta melhor. Não depois, mas naquele momento em que os sintomas surgem.

Na Terapia da Aceitação e Compromisso  (ACT) as pessoas são encorajadas a aceitar a inevitabilidade da existência de pensamentos e sentimentos que são tidos como negativos ou desagradáveis.

Aceitar a sua existência, permite que o seu foco atencional se dirija para outros objectivos na sua vida que não apenas o da supressão da ansiedade.

Na ACT trabalhamos no sentido de aceitar as sensações físicas desagradáveis e os sentimentos negativos como algo natural e inerente à nossa condição humana.

As sensações desagradáveis e os pensamentos negativos são reacções naturais perante situações que percepcionamos como angustiantes ou incapacitantes. Quando conseguimos perceber esta ideia, conseguimos igualmente relativizar o nosso problema e colocarmo-nos numa posição de resposta face ao que é sentido e vivido. É neste ponto que se torna possível o auto-cuidado e a implementação de estratégias de regulação, alterando consequentemente a percepção da situação e a forma de lidar com as situações indutoras de mal-estar.

Respire


Experimente respirar fundo e relaxar os músculos quando não se sente em pânico. Ao praticar regularmente estes exercícios, em situações de pânico poderá automáticamente realizá-los como estratégia de regulação.

A respiração profunda permite uma desativação fisiológica, promovendo igualmente sensações de leveza, descontração, tranquilidade e clareza de pensamento. Tal acontece também porque a respiração serve como âncora ao momento presente, permitindo-lhe sair de uma espiral de pensamentos antecipatórios e catastróficos.

Exercício
Na posição de deitado, com as costas bem assentes, certificando-se que não será interrompido, execute os seguintes passos:
  • Feche os olhos e foque-se na sua respiração. Pode apenas concentrar-se nos movimentos de oscilação do seu corpo conforme o ar entra e sai.
  • É natural que surjam imagens ou pensamentos. Quando se aperceber disso, sem julgamento traga-se de volta ao foco na respiração.
  • Agora, foque a sua atenção no modo como respira - se tem uma respiração abdominal ou torácica, como é o ritmo natural da sua respiração. Ao conhecer o modo como respira poderá regular a respiração em momentos em que se sente mais ansioso.

  • Permita-se agora largar o processo natural da sua respiração, começando uma contagem de 4-8 em que demora o dobro do tempo a deixar o ar sair do que aquele que demora a entrar.
  • Tente aprofundar a sua respiração. Caso se aperceba que respira de forma torácica (apenas o peito oscila quando respira), coloque uma mão na zona do seu abdómen, imaginando que tem um balão que enche quando inspira e esvazia quando expira. De facto, quando se sente ansioso, a sua respiração torna-se torácica, desequilibrando os níveis de oxigénio e dióxido de carbono no corpo, o que pode causar parestesias (sensação de dormência) e tonturas. Aprofundar a respiração através desta técnica pode ajudá-lo a reduzir os sintomas.

Está realmente em perigo?


Torne-se crítico em relação aos pensamentos que lhe dizem estar sob ameaça. Tome nota dos seus receios e questione-se de quantas vezes de facto estes chegaram a concretizar-se.
A ansiedade faz-nos sentir que a ameaça é iminente e catastrófica o que não é necessariamente verdade. Ao pôr realidade na realização efectiva dos seus pensamentos catastróficos e antecipatórios, pode aperceber-se de quanto os sobre estimou.
A ansiedade é normalmente disparada pela antecipação de um resultado negativo, refletindo-se numa preocupação antecipada. A pessoa fica pré-ocupada com aquilo que teme, ou julga não conseguir lidar. Na grande maioria das vezes os futuros cenários negativos são projecções que a própria pessoa faz, filtradas pelas suas distorções do pensamento.

Não, não é uma catástrofe…
Mesmo que algo de mau aconteça, perceba e reconheça os seus recursos para lidar com a situação.
Permita-se também pedir ajuda a quem está à sua volta, largando a ideia de que será julgado e a vergonha de se sentir ansioso.

Exposição

Outra das técnicas utilizada para o tratamento da ansiedade envolve enfrentar a situação que receia, permitindo-se permanecer nela o tempo suficiente para que possa regular a sua ansiedade.
O evitamento ou a fuga da situação ansiogénica impede-o de se mobilizar para gerir a ansiedade e cria ou reforça a crença da sua incapacidade de viver a vida que deseja.

As Terapias de Exposição permitem-lhe  - de forma real ou através de exercícios de visualização) em situações temidas, trabalhando-se na optica de dessensibilização sistemática.

As situações selecionadas são hierarquizadas através de uma escala de percepção de ansiedade por elas provocada, iniciando-se pelas levemente perturbadoras

Equacione a possibilidade de construir a sua própria escala de situações promotoras de ansiedade, no sentido de pouco a pouco ir expondo-se às mesmas.

Todas estas técnicas são trabalhadas aquando de um processo terapêutico desenhado para a vivência da ansiedade.

Um abraço.

Catarina Satúrio
(marcação de consultas através do 914420361)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ataques de Pânico


Um ataque de pânico é a aparição repentina de uma avassaladora sensação de ansiedade e medo atingindo o seu pico ao fim de 10 minutos e atenuando em 20 ou 30 minutos.
Os sintomas mais referidos são:
Ritmo cardíaco acelerado
Sensação de desmaio
Dificuldade em respirar ou hiperventilação
Sensação de estar a morrer
Medo intenso de enlouquecer ou de perder o controlo
Dor ou desconforto na zona do peito
Tremores
Sensação de despersonalização (como se o corpo não lhe pertencesse) ou de desrealização.
Náuseas
Dormência ou formigueiro nas mãos, braços, pernas ou pés
Sensação de frio ou calor intenso
Se não forem alvo de intervenção, podem originar uma Perturbação de Pânico e/ou outros problemas como o isolamento social. Quanto mais rapidamente procurar ajuda, melhor o prognóstico de intervenção e recuperação.
Como acontecem os ataques de pânico
A verdade e que todos temos uma resposta física ao stress.
Podemos sentir-nos ansiosos quando surge um problema no nosso local de trabalho, quando temos um exame na escola ou uma decisão importante a tomar. Porem, para alguém que tem ataques de pânico, estas pressões externas despoletam reações físicas intensas, como se estivessem a ser atacadas por um leão. A adrenalina dispara e o corpo e a mente têm uma resposta de fuga ou ataque face ao perigo percebido.
Contudo os ataques de pânico são duplamente assustadores dado que não existe um perigo real que os provoque e, assim sendo, podem acontecer a qualquer momento e em qualquer situação.
Ao longo do tempo, muitas das pessoas que sofrem de ataques de pânico revelam ter desenvolvido “medo de ter medo” de ter outro ataque de pânico. Tal pode inibir a normal realização das suas retinas e diminuir seriamente a sua qualidade de vida. No extremo, algumas pessoas recusam-se a sair de suas casas ou a regressar a locais onde já tiveram um episódio de pânico.
Os ataques de pânico podem ocorrer apenas uma vez, no entanto, muitas pessoas relatam repetidos episódios. Os ataques de pânico recorrentes muitas vezes são accionados por situações específicas como atravessar uma ponte, falar em público ou ficar sozinho/a inesperadamente – especialmente se essa situação já provocou anteriormente um ataque de pânico. As características de uma situação indutora de pânico são situações em que nos sentimos em perigo e somos incapazes de sair dela.
É comum o aparecimento de ataques de pânico em etapas de mudança na vida das pessoas como mudar de escola, entrar no mercado de trabalho, mudar de país, casar ou ter filhos. Situações geradoras de muita ansiedade como a morte de uma pessoa próxima, o aparecimento de uma doença grave, divórcio ou perda de emprego podem activar um ataque de pânico.
O Verão pode ainda ser uma estação predominantemente relacionada com os ataques de pânico, como mostram vários estudos, uma vez que as temperaturas elevadas podem despoletar vários dos sintomas a eles associados (como o aumento do ritmo cardíaco e a sensação de falta de ar).
Alguns catalisadores dos Ataques de Pânico:
Ansiedade Antecipatória: A sua mente está focada num evento passado traumático e o seu corpo responde como se esse evento estivesse a acontecer neste momento.
Visualização auto-destrutiva: Pode temer perder o controlo da situação presente. Interpreta a situação como potencialmente perigosa e o seu corpo segrega adrenalina preparando-se para lidar com o perigo.
O seu corpo em alerta. O cérebro envia uma mensagem ao seu corpo para protege-lo face ao perigo percebido. Assim, o seu ritmo cardíaco aumenta para que o sangue circule mais rapidamente até aos seus órgãos vitais, a respiração acelera para oxigenar o sangue que circula e os seus músculos tensionam-se para que possa mover-se mais rapidamente.
A sua mente fica presa aos pensamentos catastróficos. Em vez de reagir no sentido de resolver o problema percepcionado, fica preso no perigo percebido e incapaz de deixar o medo ir.
A sua respiração acelera. Durante um ataque de pânico, a sua respiração acelera para que possa ter mais oxigénio disponível para o sangue. Neste processo, os seus pulmões exalam mais dióxido de carbono do que o produzido pelas suas células, diminuindo os níveis de dióxido de carbono no sangue e no cérebro.
O que pode fazer?
Aprender sobre o pânico – Recolher informação sobre este tipo de condição ajudar bastante a relacionar-se com a ansiedade e o medo.
Evitar cigarros e cafeína – Estes dois produtos podem provocar ataques de pânico em pessoas susceptíveis.
Aprender a controlar a respiração – A hiperventilação que sente durante um ataque de pânico promove muitas das sensações que o acompanham (tonturas, aperto/dor no peito). Uma forma de controlar esses sintomas é através da respiração, controlando a entrada e saída de ar e equilibrando os níveis de oxigénio e dióxido de carbono no corpo.
Praticar técnicas de relaxamento – Se tiver experiência de prática de yoga, meditação ou técnicas de relaxamento muscular progressivo poderá utilizá-la para fornecer ao corpo a indicação para relaxar em vez de entrar em ansiedade. Irá sentir não só um aumento de relaxamento, como sensações de bem-estar e de plenitude. Encontre espaço para estas práticas diariamente
Se nada disto melhorar os ataques de pânico: procure um psicólogo!
Existem várias técnicas/abordagens eficazes na intervenção com ataques de pânico, nomeadamente:
Terapia Cognitivo-Comportamental – Foca-se nos seus padrões de pensamento e naqueles que poderão estar a contribuir para a ansiedade, promovendo formas mais adaptativas de pensar/agir quando está a ter um ataque de pânico ou em situações de ansiedade intensa. Normalmente são identificadas as situações ou comportamentos que iniciam os seus ataques de pânico (acontecimento gatilho) e os comportamentos que os mantêm. Esta abordagem ajuda a olhar o medo e a ansiedade de uma forma mais realista e menos assustadora.
Terapia de exposição para ataques de pânico – Nesta abordagem (que pode e deve ser complementada com a anterior), será exposto/a às condições e sensações físicas do ataque de pânico num ambiente controlado e seguro para que seja possível aprender estratégias para lidar com o ataque de pânico. Pode-lhe ser pedido que respire muito depressa para simular a hiperventilação, que abane rapidamente a cabeça para simular a sensação de tontura e permitir que se habitue a lidar com as sensações físicas do ataque de pânico. Imaginar determinados locais ou acontecimentos potenciadores de um ataque de pânico pode também ser uma das formas de trabalhar a forma como vai lidando com ele, até ser efectivamente levado a esses locais, no final da terapia de exposição e com todas as estratégias aprendidas entretanto.

Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular (EMDR) Através desta abordagem são atingidos resultados rápidos tanto sobre os episódios potencialmente traumáticos vividos como nos “gatilhos” que promovem os ataques de pânico.

Catarina Satúrio

Depressão

DEPRESSÃO

Chorar

O que é?
Segundo António Coimbra de Matos “A depressão é a ausência de esperança, com retirada para o mundo da memória. A antecipação de um porvir estimulante é aniquilada pela vivência da perda sentida como irreparável e insubstituível. Nada ou pouco interessa e dá prazer no presente real e pouco ou nada é imaginado como bom ou apetecível no amanhã.”
Em termos globais, a depressão é uma Perturbação do Humor caracterizada por uma tristeza desadaptada, intensa, prolongada e perturbadora, ausência de prazer e interesse, pessimismo, isolamento, ruminação, falta de energia, insónia ou irritabilidade que podem escalar até doenças psicossomáticas, sintomas psicóticos e impulsos suicidas durante semanas, meses ou anos

Tipologia

  • Depressão Major
Caracteriza-se pela presença de 5 ou mais sintomas durante 2 ou mais semanas:
- Sintomas psicológicos: tristeza profunda, desespero, perda de prazer no dia-a-dia (anedonia), culpa, falta de valor próprio, ruminação, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio e dificuldades de concentração
- Sintomas físicos: variações de peso e apetite, falta de energia, lentificação ou agitação motora, perturbações do sono (insónia inicial ou terminal, hipersónia)


Tem vários subtipos:
1) Psicótica: com delírios normalmente de perseguição, prática de pecados ou crimes imperdoáveis, doenças incuráveis ou vergonhosas. Poderá existir também alucinações auditivas (ouvir vozes acusatórias) ou visuais
2) Catatónica: Lentificação psicomotora severa ou excessiva, desligamento e, em alguns clientes, expressões faciais bizarras, imitação do discurso (ecolalia) ou do movimento (ecopraxia)
3) Melancólica: Perda de prazer em quase todas as actividades, incapacidade em responder a estímulos prazerosos, expressão emocional estática, culpa intensa, acordar madrugador, lentificação ou agitação psicomotora e perda de peso ou anorexia
4) Ansiosa: Sentimentos de tensão e inquietude, dificuldade de concentração devido a preocupação, medo que algo horrível aconteça e de perder o autocontrolo
5) Pós-parto: Quando os sintomas surgem durante a gravidez ou nas 4 semanas após o parto. É muitas vezes acompanhada de ansiedade grave e até ataques de pânico.
6) Sazonal: Quando os sintomas surgem numa altura particular do ano (normalmente Outono ou Inverno) com total remissão noutra. Esta relação temporal deverá ser exibida pelo menos durante 2 anos.
7) Atípica: Humor construtivo perante estímulos positivos mas sensibilidade à rejeição resultando em intensos estados depressivos reativos a situações sentidas como de crítica ou rejeição. Aumento de apetite e de peso, hipersónia. Os sintomas têm tendência a aumentar à medida que o dia decorre
8) Induzida por substâncias ou medicamentos
9) Devido a outras condições médicas


  • Distimia
Quadro com sintomas depressivos de baixa intensidade que persistem 2 ou mais anos.
Tipicamente inicia-se durante a adolescência e tem um percurso discreto durante muitos anos ou décadas
A distimia pode ser acompanhada de forma irregular por episódios de depressão major
As pessoas com distimia são, normalmente, “sombrias”, pessimistas, com pouco sentido de humor, passivas, letárgicas, introvertidas, hipercríticos de si próprios e dos outros e reclamam facilmente.


Comorbilidade
Indivíduos com estados depressivos crónicos, quer seja distimia ou depressão major, têm maior probabilidade de ter perturbações de ansiedade (Ataques de pânico, ansiedade generalizada), perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação bipolar, perturbação pós-stress traumático, perturbações alimentares e de auto-imagem, abuso de substâncias ou perturbações de personalidade (Bordeline, Evitante, Dependente, Narcísica, Histriónica).

Factores de Risco
Existem factores de risco biológicos e ambientais:
  • Factores biológicos
  1. Neuroquímica: baixa Dopamina e Serotonina e desregulação na Adrenalina e Noradrenalina
  2. Hormonal: alterações ao nível do Estrogénio (estimula produção da serotonina); Testosterona (líbido, vitalidade física e psicológica); Progesterona (regula estrogénio); Cortisol (ligada ao stress) e Hipotiroidismo (reduzidas T3 e T4)
  3. Doenças físicas: Epilepsia; AVC; Doença de Parkinson; Esclerose múltipla; Doença cerebral degenerativa entre outras.
  4. Genética: pode explicar até metade da etiologia, mais comum em familiares em 1º grau de clientes depressivos, bipolares e em gémeos verdadeiros
  • Factores ambientais:
  1. Trauma
  2. Abuso físico ou psicológico
  3. Perdas de vários tipos (relacionais, profissionais, etc.)
  4. Mudanças repentinas no contexto de vida
  5. Consumo de substâncias
  6. Isolamento social
  7. Perfecionismo
  8. Baixa auto-estima


Prevalência
A depressão afecta todas as faixas etárias, continuando a ter maior prevalência na idade adulta e é mais frequente em mulheres (2 para 1).
Antigamente, a idade média do primeiro episódio depressivo major situava-se entre os 40 e os 50 anos. Hoje em dia, situa-se na faixa dos 20.
Segundo a European Alliance Against Depression (EAAD), Portugal é o país da Europa com maior taxa de depressão e o segundo maior do mundo (1 em cada 4) e atrás dos USA.

Índice de Mortalidade
Dois terços das pessoas que se suicidam sofrem de depressão na altura da sua morte
Portugal é o terceiro país europeu onde o suicídio mais aumentou nos últimos quinze anos (5 por dia)
Vários estudos afirmam que em 2020, a depressão será a 2ª causa de morte logo a seguir das patologias cardíacas.

Tratamento

A depressão tem tratamento.

Antes de procurar ajuda procure adoptar um estilo de vida anti-depressivo:
- Dieta equilibrada, com alimentos ricos em vitaminas do complexo B (cereais, verduras, feijão, frango e ovos), C (citrinos e vegetais) e Ômega 3 (peixes gordos)
- Exposição solar (vitamina D)
- Dormir 8 horas por dia
- 30 minutos de actividade física diária

Não tenha vergonha de pedir ajuda. A depressão é um problema internacional de saúde pública que pode matar.

Procure ajuda psicoterapêutica. Está cientificamente provada a sua eficácia, existindo várias abordagens possíveis (Cognitivo-Comportamental, Terapia Focada nas Emoções, EMDR, terapia existencial, Mindfulness, entre outras). Como cada caso é um caso, na Psinove privilegiamos um modelo de intervenção integrativo, usando várias abordagens de forma responsiva a cada indivíduo.

Em casos mais graves articulamos com psiquiatria.


Referências

American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5thed): DSM-V. Washington: Author

Coimbra de Matos, A. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi.



Catarina Satúrio
Catarina Barra Vaz


Transtorno Bipolar

DOENÇA BIPOLAR
Perturbação do humor


O que é?
A Doença Bipolar, anteriormente denominada de doença maníaco-depressiva é uma Perturbação do Humor que implica a presença ou história de Episódios Maníacos ou Hipomaníacos, habitualmente concomitantes com a existência de Episódios Depressivos Major (DSM-V, 2013).


Tipologia
Existem três tipos de doença bipolar:
Bipolar I – caracteriza-se pela presença de uma ou mais episódios maníacos, que pode ser precedido ou seguido de episódios hipomaníacos ou depressivos major.
Bipolar II – caracteriza-se pela presença de um episódio de depressão major, precedido ou seguido por um episódio hipomaníaco
Ciclotimia Perturbação do humor crónica e instável que engloba períodos de sintomas hipomaníacos e depressivos que não são em número, intensidade, duração e globalidade suficientes para se enquadrarem num Episódio Maníaco e Episódio Depressivo Major, respectivamente. Para que a Ciclotimia possa ser diagnosticada, é necessário que durante um período de dois anos (um ano para crianças ou adolescentes), a pessoa não esteja isenta dos sintomas por mais de dois meses seguidos e que nos 2 primeiros anos da perturbação, não ocorra nenhum Episódio Depressivo Major ou Maníaco.


Sintomatologia
  • Episódio Maníaco
Estado de humor expansivo, elevado, eufórico ou irritável com aumento de actividade ou energia durante pelo menos uma semana durante o qual ocorrem 3 ou mais dos seguintes sintomas:
- Aumento da auto-estima, sentimentos de grandiosidade
- Diminuição da necessidade de dormir
- Maior necessidade de falar
- Fuga de ideias ou pensamento acelerado
- Distractibilidade
- Grande dedicação a tarefas orientadas por objectivos ou agitação psicomotora
- Envolvimento excessivo em actividades de risco em actividade de prazer, nomeadamente despesas excessivas e sexo
- Perda da noção de realidade, delírios ou alucinações auditivas.


  • Episódio Hipomaníaco
Apenas difere do episódio maníaco na sua duração: mínimo de 4 dias consecutivos.


  • Episódio Depressivo Major
Estado de humor depressivo durante o mínimo de duas semanas acompanhado por 4 ou mais dos seguintes sintomas:
- Diminuição do interesse ou prazer na maior parte das actividades
- Diminuição ou aumento de peso ou apetite, sem estar em dieta alimentar
- Insónia ou hipersónia quase todos os dias
- Agitação ou lentificação psicomotora
- Fadiga ou perda de energia
- Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva
- Dificuldade de concentração
- Ideação suicida


Comorbilidade
Doença Bipolar I - Perturbação de Pânico, Fobia Social, Perturbação por Hiperactividade/Défice da Atenção e Perturbações Relacionadas com Substâncias.
Doença Bipolar II - Perturbação de Pânico, Fobia Social, Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbações Alimentares.
Ciclotimia - Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbações do Sono.


Factores de Risco
Os factores biológicos têm maior peso na ocorrência da Doença Bipolar.
Um desequilíbrio nos níveis de um ou mais neurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina) pode conduzir ao aparecimento da doença bipolar.
Vários estudos demonstram predisposição genética para a doença bipolar sendo este o maior factor de risco. A magnitude do risco diminui com os graus de parentesco: pais, irmãos e avós.
Contudo, factores ambientais como acontecimentos de vida stressantes (morte de uma familiar, desemprego, etc) parecem ter um papel importante no desencadear da doença.


Prevalência e evolução
A Doença Bipolar afecta cerca de 1.5% da população (Jones, 2004) e vários estudos epidemiológicos indicam que a Doença Bipolar ocorre igualmente em homens e mulheres.
Quanto à idade média de ocorrência: 18 anos na Doença Bipolar I, 25 anos na Doença Bipolar II e adolescência na Ciclotimia (nesta última há um risco variável entre 15% a 50% de que a pessoa desenvolva uma Doença Bipolar I ou II)


Tratamento
Sabia que muitos famosos nossos contemporâneos como a actriz Catherine Zeta-Jones, o actor Jim Carey a cantora Rita Lee e o bilionário Ted Turner têm doença bipolar e vivem de forma funcional com a mesma?
A Doença Bipolar é uma condição crónica. Não há nenhum tratamento que a cure por completo mas é possível controlá-la, diminuindo o número de recaídas.
É fundamental o tratamento farmacológico, normalmente estabilizadores de humor como o Lítio, prescritos por médico psiquiatra.
Contudo, segundo Jones (2004) 1/3 dos pacientes continua a apresentar recaídas, apesar do tratamento preventivo com lítio elo que o apoio psicológico, individual e familiar é essencial na adaptação à doença.
A Psicoeducação pode fornecer às famílias, cuidadores e aos doentes informações sobre a doença e respectivo tratamento, tendo como objectivo a aceitação da doença e tratamento. A Psicoeducação adquire igualmente importância na adesão à medicação, o evitamento do abuso de substâncias e a identificação de sintomas de recaída.
A terapia cognitivo-comportamental em doentes com Doença Bipolar reduz o número de recaídas nos episódios maníacos, nos episódios totais e nos episódios hipomaníacos bem como uma diminuição do número de episódios de depressão, mania e hipomania.
A terapia familiar (TF), pretende melhorar o conhecimento sobre a doença, realçar o funcionamento global do paciente, assim como focar a forma de lidar com o stress, verificando-se com esta terapia um aumento da adesão à medicação. O método utilizado pela TF envolve fases de avaliação, educação sobre a doença, aperfeiçoamento das capacidades de comunicação bem como da capacidade de resolução de problemas, com a família.


Referências
American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5thed): DSM-V. Washington: Author
Jones, S. (2004). Psychotherapy of bipolar disorder: a review. Journal of Affective Disorders, 80, 101-114.
Catarina Satúrio

Catarina Barra Vaz