Mostrar mensagens com a etiqueta Psicoterapia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Psicoterapia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Lentes que distorcem a realidade

É a forma como percepcionamos a realidade, e não a realidade em si, que desencadeia as emoções e os comportamentos face a uma situação.

A esta percepção, gosto de chamar lentes que nos filtram a realidade. Como se ao longo da nossa existência fossemos somando lentes às armações vazias com que nascemos. Tal como numa consulta de oftalmologia onde vamos adicionando e experimentando as lentes que melhor nos filtram na realidade.

Claro está que estas lentes (que bem entendido não questionamos e julgamos como verdade absoluta sobre nós e sobre o mundo) foram em tempos defesas e percepções adequadas à realidade vivida.

Imaginemos uma criança que experimenta uma relação com os Pais em que é alvo de críticas constantes sobre o seu desempenho escolar. Facilmente poderemos perceber que crie um auto conceito de ser incapaz em tarefas cognitivas. Poderá também adoptar uma postura de perfeccionismo e intolerância à falha  como defesa desta crítica que tanto lhe doi. Teremos então uma criança que cresce com duas lentes nas suas armações - a de incompetência e a da exigência, que não questionará ao longo da sua existência ainda que lhe cause dano, que seja desligada da realidade e que faça com que a experiência de errar extrapole o erro em si e se alastre para esta noção de ser incapaz.

A experiência emocional daquele erro é de tal forma avassaladora, pois já não se cinge a ele, que acarreta a noção de falhar sempre, de auto critica severa.

Claro está que muitas outras lentes poderiam ter sido adoptadas por aquela criança. Poderia ter desinvestido, desvalorizado as experiências intelectuais por se julgar como incapaz de as cumprir, desistir perante qualquer caminho que percepcionasse como exigente de capacidades cognitivas que julgava não possuir.

Ainda assim, qualquer das lentes que tivesse adoptado, ainda que possamos entender e até empatizar com a razão pela qual foram escolhidas (de certa forma minimizar o sofrimento relacionado com a crítica parental), não seriam já necessárias perante a realidade actual, tornando-se disfuncionais e causadoras de comportamentos desadequados face à realidade hoje vivida. Seriam igualmente causadoras de sofrimento, quando na sua génese seriam protectoras.

Certamente esta será uma análise simplista daqueles que podem ser os pensamentos automáticos e os sistemas de crenças que os acompanham. Ainda assim, julgo importante que possa de certa forma compreender a existência destas lentes e as possa questionar.

No processo psicoterapêutico com uma abordagem cognitiva comportamental, e noutras abordagens que se querem integrativas, o reconhecimento e identificação destes Pensamentos Automáticos, dos Sistemas de Crenças e das Distorções Cognitivas, são parte do que leva à mudança no sentir e no fazer.

Desafio-o hoje a dar-se conta, aqui e agora, destas lentes. E porque não, a trabalhá-las num processo psicoterapêutico.

Um abraço.

Catarina Satúrio


Quem sou?

Quem sou?

Quem sou sem os outros? O que é meu e o que é do outro? Do que me impeço pelas expectativas que julgo que os outros, o mundo têm de mim?

Quando me dou conta, sem julgamento, sem crítica, do que sou, do que me move, apenas aí poderei definir a resposta à próxima pergunta existencial - Para onde vou?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Couch.pt

Num novo projecto em que se pretende levar a Psicoterapia às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, surge o Couch.

É com satisfação que integro esta equipa que permite que à distância de um clique possa marcar a sua consulta e fazer o seu processo psicoterapêutico a partir de qualquer parte do mundo.

Fica o link para que possam conhecer melhor e, quem sabe, dar uma nova luz à vossa Vida.

Um abraço.

Catarina Satúrio

Couch

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Mindfulness App

Quando os meus pacientes se mobilizam e procuram fora da psicoterapia mais ferramentas para o seu dia a dia, confesso que me entusiasmo. Não apenas pela perpetuação do movimento terapêutico, mas também pelo que aprendo com eles. 

Há duas semanas trouxeram-me o Headspace, uma ferramenta (app) para telemóvel onde num programa gratuito de 10minutos diários durante 10 dias podemos praticar Mindfulness - atenção plena, espaço entre o Eu observador e os pensamentos, emoção e corpo.

Vale a pena experimentar!

Fica o link para o site:
https://www.headspace.com/

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A busca incessante da causa






Perdemo-nos nos "porquês" daquilo que nos acontece, situações ou emoções, como se virássemos costas à realidade do aqui e agora (dentro e fora de nós), procurando uma causa ou explicação num passado que já pouco nos pertence.


Esmiuçamos situações muitas vezes para nos depararmos com uma ausência de causalidade que nos aflige e deixa a sensação de que algo de errado se passa connosco.

E ao nos afundarmos nestes porquês, nesta busca que remoemos, deixamos de conseguir dar resposta ao que estamos a vivenciar interna e externamente no momento presente.

Poderá ser um truque da mente, altiva e dominadora, que se perde a cogitar reforçando a sua importância, ainda que cogitar não seja a ferramenta de que precisamos naquele momento. Como se fosse difícil aceitar o que estamos a sentir e pudessemos perguntar apenas - ' O que preciso ou quero fazer com isto que sinto aqui e agora?'.

E talvez seja com esta pergunta, mais assente e aceitante da realidade presente, que surja uma resposta mais adequada e que vá ao encontro da necessidade que subjaz à emoção que encontramos em nós.

É nesta aceitação da vivência do aqui e agora que reganho a autonomia para dar resposta ao que sinto.


Um abraço.

Catarina Satúrio

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Técnicas de Desfusão Cognitiva ou como lidar com os pensamentos perturbadores

"Penso, logo existo". Descartes referia-se ao acto de pensar e não ao pensamento, porém confundimos hoje o ser que pensa com o pensamento que produz, identificando-nos com crenças, juízos ou pensamentos automáticos que fomos construindo, alguns como forma de defesa. 

E é nesta fusão com o conteúdo dos pensamentos que reside parte da nossa ansiedade, da nossa deturpação no olhar para quem realmente somos. Como uma lente, a identificação com os pensamentos que produzimos, afasta-nos da realidade, essencialmente daquela que nós somos, e impede-nos muitas vezes de responder ao mundo de forma adequada. 

Mas como gerir estes pensamentos que por vezes nos assolam, afligem, criam cenários ou considerações sobre nós e o mundo?

As técnicas de desfusão cognitiva utilizadas pela ACT, potenciam a nossa capacidade de ver os pensamentos como objectos exteriores a nós, promovendo a desidentificação com o conteúdo dos pensamentos e, consequentemente, diminuindo as emoções e os sintomas físicos a eles associados.

1º Exercício - observar o pensamento, criando espaço entre o observador e o conteúdo pensado:

Intencionalmente, traga a mente para um pensamento que o incomode com alguma frequência, impedindo-o até de se relacionar de forma mais plena com o mundo que o rodeia. Poderá ser um pensamento negativo sobre si, como:

“Eu não sou amado”
a) Silenciosamente, diga este pensamento para si próprio, convicto da sua veracidade, e notando os efeitos que este pensamento tem.

b) Tente agora ter o mesmo pensamento, mas dizendo antes:

“Eu estou a ter o pensamento que não sou amado.

c) E, por último, traga o mesmo pensamento à sua consciência precedido pela frase:

“Eu reparo que estou a ter o pensamento de que…”

Talvez possa notar um distanciamento e uma diminuição nas emoções relacionadas com o pensamento que o perturbava. Ou talvez apenas possa notar que é o observador desta sua produção mental. Agora criou o espaço entre si e o seu pensamento que pode permitir-lhe questionar esta crença.

2º Exercício - Cantar os pensamentos:
Outra possibilidade para criar distância dos pensamentos é:

a) Pensamento X

b) Cantar o pensamento X com o mesmo ritmo que você canta “Parabéns para você”.

Repare como dessensibiliza ou retira a carga emocional do pensamento que elicitou.  

3º Exercício - Comer o pensamento

a) Foque-se no pensamento perturbador e tente encontrar uma palavra que o represente.

b) Visualize essa palavra numa tela à sua frente.

c) Transforme cada letra da palavra em algodão doce, permitindo-se depois comer letra a letra.


Espero ter criado uma primeira curiosidade sobre como lidar com os pensamentos, mas acima de tudo tê-lo feito questionar a identificação que faz com os conteúdos  dos seus pensamentos.

Porque terapia não é apenas uma conversa, mas também instalação de recursos que promovam o seu 
bem estar.

Um abraço.

Catarina Satúrio

segunda-feira, 14 de março de 2016

Mudar o Rumo


A Vida é Mudança
Tirar (ou ganhar) tempo para perceber onde estamos e o caminho a seguir, pode revelar que os planos feitos anteriormente já não nos servem. O que somos está em constante mutação e evolução, tal como as necessidades que nos são intrínsecas.
Por vezes em Terapia deparamo-nos com uma luta constante e inglória de quem está à nossa frente, numa rigidez de quem não se permitiu repensar o caminho.
E isto é válido para todas as esferas da nossa vida - o que precisamos na família, o que é premente, o rumo profissional que vai dando respostas à necessidade de realização e, de forma mais pragmática, de sobrevivência, na forma como estamos nas relações com o outro.
Repensar este caminho, percebendo que talvez já não sejamos quem o traçou, o que pelo menos as necessidades do Eu Real que agora somos mudaram, não será nunca sinónimo de desistência mas de verdade e respeito por nós.


Também isto é a Terapia.

Um abraço.
Catarina

Eu Real e Eu Ideal


Deparo-me muitas vezes em terapia com uma distância angustiante entre estes dois Eus. O Eu Ideal, motivador de melhoria, de objectivos, torna-se um Eu Crítico e Castrador, não aceitante do Eu Real, causando angústia e um sentimento incontornável de falha do que se é.
Em terapia trabalha-se estes dois Eus, reconciliando-os, largando do Eu Ideal o que já não serve e os "Tenho que" que este impõe, quais introjectos não mastigados, Aceita-se e acarinha-se o Eu Real, com tudo o que este contém. Tal não será nunca sinónimo de conformismo, mas de aceitação. E é quando se aceita o que se é e o que está que a Mudança ocorre.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Psicoterapia

Psicoterapia - Resgatar recursos, largar o que já não serve, estar consciente dos processos mentais, dos pensamentos automáticos, das crenças. Psicoterapia - a redescoberta do Eu Real.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Terapia na Ansiedade

Não é a realidade que é ameaçadora, mas a interpretação que fazemos dela

Nas perturbações de ansiedade, os pensamentos estão por norma focados no futuro, sobrevalorizando o perigo inerente a determinada situação que se supõe ter que enfrentar. Quando o corpo está no momento presente e o pensamento no futuro, destitui-se da capacidade de agir perante a ameaça percebida, levando ao sentimento de incapacidade de acção e auto protecção, activando de forma automática respostas físicas de ansiedade.

Assim, poderá existir uma avaliação incorrecta da situação, sendo os riscos físicos ou psicológicos da mesma avaliados desadequadamente e minimizando os recursos próprios para o enfrentamento do perigo percebido.

Mesmo sendo a ansiedade provocada por uma avaliação errada e futura, existem respostas físicas que são por ela activadas e são inadequadas à situação real e presente, criando um falso alarme.

Deste modo, o paciente com um transtorno de ansiedade faz uma distorção cognitiva, antecipando uma ameaça mesmo quando existe uma pequena probabilidade dela ocorrer.

Os tipos de pensamentos automáticos presentes são influenciados pelas crenças centrais individuais, sendo que no caso de pacientes ansiosos, usualmente as crenças a respeito de si mesmo e do mundo tornam-nos propensos a interpretar uma grande variedade de situações como ameaçadoras.

As crenças centrais do paciente ansioso estão geralmente relacionadas com a vulnerabilidade, sendo que a maioria dessas crenças envolve questões de aceitação, competência, responsabilidade, controle e dos sintomas de ansiedade em si.


É importante que na psicoterapia com pacientes que sofrem de uma Perturbação de Ansiedade, façam parte do processo terapêutico técnicas e uma intervenção em linha com a Terapia Cognitiva Comportamental. Nesta, existe o objectivo de desenvolver a capacidade de reconhecimento e questionamento dos pensamentos automáticos que actuam como gatilho da ansiedade, bem como das crenças centrais relacionadas com a aceitação da ansiedade, com a vulnerabilidade face ao perigo e à ameaça. Igualmente importante é a integração do Mindfulness e de técnicas de respiração e contemplação do mundo exterior, retirando o foco hipervigilante dos sintomas físicos. 

sábado, 26 de setembro de 2015

Cuide de Si!

O Verão foi tempo de contacto, tempo de pausa e de preparação para um regresso que o fez repensar o que quer conquistar e o que pode deixar ir.
Para este novo caminho, pode perceber que lhe faltam ferramentas ou que talvez nem saiba para onde ir - apenas uma inquietação que lhe diz já não querer permanecer onde está.
A Psicoterapia é o espaço para esta descoberta num futuro mais livre e em sintonia consigo.
Marque a sua consulta.
catarinasaturio@gmail.com

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Depressão

DEPRESSÃO

Chorar

O que é?
Segundo António Coimbra de Matos “A depressão é a ausência de esperança, com retirada para o mundo da memória. A antecipação de um porvir estimulante é aniquilada pela vivência da perda sentida como irreparável e insubstituível. Nada ou pouco interessa e dá prazer no presente real e pouco ou nada é imaginado como bom ou apetecível no amanhã.”
Em termos globais, a depressão é uma Perturbação do Humor caracterizada por uma tristeza desadaptada, intensa, prolongada e perturbadora, ausência de prazer e interesse, pessimismo, isolamento, ruminação, falta de energia, insónia ou irritabilidade que podem escalar até doenças psicossomáticas, sintomas psicóticos e impulsos suicidas durante semanas, meses ou anos

Tipologia

  • Depressão Major
Caracteriza-se pela presença de 5 ou mais sintomas durante 2 ou mais semanas:
- Sintomas psicológicos: tristeza profunda, desespero, perda de prazer no dia-a-dia (anedonia), culpa, falta de valor próprio, ruminação, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio e dificuldades de concentração
- Sintomas físicos: variações de peso e apetite, falta de energia, lentificação ou agitação motora, perturbações do sono (insónia inicial ou terminal, hipersónia)


Tem vários subtipos:
1) Psicótica: com delírios normalmente de perseguição, prática de pecados ou crimes imperdoáveis, doenças incuráveis ou vergonhosas. Poderá existir também alucinações auditivas (ouvir vozes acusatórias) ou visuais
2) Catatónica: Lentificação psicomotora severa ou excessiva, desligamento e, em alguns clientes, expressões faciais bizarras, imitação do discurso (ecolalia) ou do movimento (ecopraxia)
3) Melancólica: Perda de prazer em quase todas as actividades, incapacidade em responder a estímulos prazerosos, expressão emocional estática, culpa intensa, acordar madrugador, lentificação ou agitação psicomotora e perda de peso ou anorexia
4) Ansiosa: Sentimentos de tensão e inquietude, dificuldade de concentração devido a preocupação, medo que algo horrível aconteça e de perder o autocontrolo
5) Pós-parto: Quando os sintomas surgem durante a gravidez ou nas 4 semanas após o parto. É muitas vezes acompanhada de ansiedade grave e até ataques de pânico.
6) Sazonal: Quando os sintomas surgem numa altura particular do ano (normalmente Outono ou Inverno) com total remissão noutra. Esta relação temporal deverá ser exibida pelo menos durante 2 anos.
7) Atípica: Humor construtivo perante estímulos positivos mas sensibilidade à rejeição resultando em intensos estados depressivos reativos a situações sentidas como de crítica ou rejeição. Aumento de apetite e de peso, hipersónia. Os sintomas têm tendência a aumentar à medida que o dia decorre
8) Induzida por substâncias ou medicamentos
9) Devido a outras condições médicas


  • Distimia
Quadro com sintomas depressivos de baixa intensidade que persistem 2 ou mais anos.
Tipicamente inicia-se durante a adolescência e tem um percurso discreto durante muitos anos ou décadas
A distimia pode ser acompanhada de forma irregular por episódios de depressão major
As pessoas com distimia são, normalmente, “sombrias”, pessimistas, com pouco sentido de humor, passivas, letárgicas, introvertidas, hipercríticos de si próprios e dos outros e reclamam facilmente.


Comorbilidade
Indivíduos com estados depressivos crónicos, quer seja distimia ou depressão major, têm maior probabilidade de ter perturbações de ansiedade (Ataques de pânico, ansiedade generalizada), perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação bipolar, perturbação pós-stress traumático, perturbações alimentares e de auto-imagem, abuso de substâncias ou perturbações de personalidade (Bordeline, Evitante, Dependente, Narcísica, Histriónica).

Factores de Risco
Existem factores de risco biológicos e ambientais:
  • Factores biológicos
  1. Neuroquímica: baixa Dopamina e Serotonina e desregulação na Adrenalina e Noradrenalina
  2. Hormonal: alterações ao nível do Estrogénio (estimula produção da serotonina); Testosterona (líbido, vitalidade física e psicológica); Progesterona (regula estrogénio); Cortisol (ligada ao stress) e Hipotiroidismo (reduzidas T3 e T4)
  3. Doenças físicas: Epilepsia; AVC; Doença de Parkinson; Esclerose múltipla; Doença cerebral degenerativa entre outras.
  4. Genética: pode explicar até metade da etiologia, mais comum em familiares em 1º grau de clientes depressivos, bipolares e em gémeos verdadeiros
  • Factores ambientais:
  1. Trauma
  2. Abuso físico ou psicológico
  3. Perdas de vários tipos (relacionais, profissionais, etc.)
  4. Mudanças repentinas no contexto de vida
  5. Consumo de substâncias
  6. Isolamento social
  7. Perfecionismo
  8. Baixa auto-estima


Prevalência
A depressão afecta todas as faixas etárias, continuando a ter maior prevalência na idade adulta e é mais frequente em mulheres (2 para 1).
Antigamente, a idade média do primeiro episódio depressivo major situava-se entre os 40 e os 50 anos. Hoje em dia, situa-se na faixa dos 20.
Segundo a European Alliance Against Depression (EAAD), Portugal é o país da Europa com maior taxa de depressão e o segundo maior do mundo (1 em cada 4) e atrás dos USA.

Índice de Mortalidade
Dois terços das pessoas que se suicidam sofrem de depressão na altura da sua morte
Portugal é o terceiro país europeu onde o suicídio mais aumentou nos últimos quinze anos (5 por dia)
Vários estudos afirmam que em 2020, a depressão será a 2ª causa de morte logo a seguir das patologias cardíacas.

Tratamento

A depressão tem tratamento.

Antes de procurar ajuda procure adoptar um estilo de vida anti-depressivo:
- Dieta equilibrada, com alimentos ricos em vitaminas do complexo B (cereais, verduras, feijão, frango e ovos), C (citrinos e vegetais) e Ômega 3 (peixes gordos)
- Exposição solar (vitamina D)
- Dormir 8 horas por dia
- 30 minutos de actividade física diária

Não tenha vergonha de pedir ajuda. A depressão é um problema internacional de saúde pública que pode matar.

Procure ajuda psicoterapêutica. Está cientificamente provada a sua eficácia, existindo várias abordagens possíveis (Cognitivo-Comportamental, Terapia Focada nas Emoções, EMDR, terapia existencial, Mindfulness, entre outras). Como cada caso é um caso, na Psinove privilegiamos um modelo de intervenção integrativo, usando várias abordagens de forma responsiva a cada indivíduo.

Em casos mais graves articulamos com psiquiatria.


Referências

American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5thed): DSM-V. Washington: Author

Coimbra de Matos, A. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi.



Catarina Satúrio
Catarina Barra Vaz


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Alma Gémea

AmorSerá que a Alma Gémea existe? Uma entrevista no Portal Inspire Saúde.

Indisciplina na Escola



Indisciplina na Escola como agir? Um artigo a ler (Basta clicar no texto a azul)

Esclerose Múltipla


Doenças degenerativas
Esta é uma doença inflamatória neuro degenerativa crónica e imprevisível. Os danos ao nível do Sistema Nervoso podem ser extensos e conduzir a incapacidades físicas e cognitivas. A incidência mundial da Esclerose Múltipla tem vindo a aumentar, estimando-se que cerc de 3,6/100,000 mulheres e 2,0/100,000 homens sofram desta doença.

Dados oriundos dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e China realçam a existência de comorbilidade com doenças do foro psiquiátrico. Diferentes estudos demonstram que existe uma prevalência de 16,5% e de 46% de Ansiedade e Depressão, respectivamente, nos doentes com Esclerose Múltipla. Os níveis de qualidade de vida nestes doentes estão na sua maioria diminuídos, o que poderá ser agravado não apenas pela incerteza na evolução da doença como também pela depressão. A existência de psicopatologia associada à Esclerose Múltipla apresenta uma relação directa com uma diminuição da adesão ao tratamento, aumento dos sintomas somáticos, e redução das competências sociais bem como das capacidades funcionais.

Tal como noutras doenças crónicas, a auto-eficácia é de extrema importância para os doentes com Esclerose Múltipla. O aumento da sensação de controlo e de aceitação podem diminuir o impacto físico e psicológico de sofrer de uma doença crónica e contribuir para melhorias clinicas tais como diminuição da fadiga.

As investigações mais recentes apontam para que a diminuição do stress seja um meio para gerir e reduzir a actividade da Esclerose Múltipla. De facto, a Terapia Cognitivo Comportamental já provou a sua eficácia, reduzindo os níveis de impregnação de gandolínio (que indicam as lesões activas) visíveis com recurso a Ressonâncias Magnéticas, durante o período em que decorre a terapia. Contudo, este efeito não é mantido após o término da terapia. As terapias baseadas nas técnicas de Mindfulness, porém, operam de forma diferente dado o forte enfase da prática diária individual e têm um efeito prolongado no tempo.

De facto, estudos levados a cabo na Suíça demonstraram que o treino de 8 semanas de Mindfulness tem resultados na redução da ansiedade, depressão, fadiga e dor bem como nas competências psicossociais, resultados esses que se continuaram a verificar após 6 meses do término do estudo e do treino de 8 semanas. No inicio da investigação, 65% dos participantes tinham níveis elevados de depressão, fadiga ou ansiedade, número esse que reduziu para 1/3 após a frequência do treino semanal de 2h30, complementado com a pratica diária individual de 40 minutos. O objectivo deste programa MBSR (Mindful-Based Stress Reduction) é o de criar uma consciência sem julgamento do que acontece no momento presente.

"MS quality of life, depression, and fatigue improve after mindfulness training: A randomized trial." P. Grossman, L. Kappos, H. Gensicke, M. D'Souza, D.C. Mohr, I.K. Penner, and C. Steiner. Neurology, Volume 75, Issue 13 : pp 1141-1149, published 28 September 2010.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Comer com consciência

Mindful eating

As práticas de mindfulness ou de atenção plena podem e devem ser alargadas a todas as áreas do quotidiano que possamos imaginar.
Ser mindful, estar atento e consciente ao que acontece no Agora, não termina no fim de uma prática de 45 minutos de body scan ou de atenção plena da respiração. A atenção, o estar presente aplica-se a coisas tão simples como uma caminhada ou…comer.
Sim, comer, porque mesmo quando ouvimos alguém dizer que adora comer, essa pessoa não está necessariamente a referir-se a apreciar o sabor do alimento, a sua textura e o seu cheiro. A maioria de nós refere-se a comer frutos secos de uma forma quase compulsiva ou um iogurte em duas colheres de sopa. De pé.. Enquanto damos um olhinho no email que acabou de chegar.
A falha na maioria das dietas assenta no negarmo-nos determinados alimentos. A nossa rejeição esta tão presente como o desejo de comer aquele alimento a que nos negámos.
As práticas meditativas de atenção plena da alimentação podem ajudar a promover uma relação mais saudável com a comida e com o acto de comer. As práticas de mindful eating podem inclusivamente ajudar nos casos de “comer compulsivamente”.
Entre outras, comer com consciência permite-nos perceber quando temos realmente fome e quando estamos saciados, podendo assim decidir acertadamente quando ir comer e quando parar de comer.
Observe-se enquanto come. De cada garfada com intenção e siga o percurso do alimento com tudo o que este pode proporcionar-lhe.
Observe os seus sentimentos e sentidos enquanto come, não depois.
Comer é de facto uma experiência bastante completa e complexa. Envolve os 5 sentidos – vemos, cheiramos, saboreamos, tocamos e ate podemos ouvir-nos a mastigar.
Por isso podemos praticar uma meditação que contemple todos estes sentidos enquanto estamos a comer.
Como comer de forma mindful?
Comece por escolher apenas uma refeição por dia a qual dará a sua atenção completa.
Foque-se no que está a comer. Desligue o computador, ponha de lado o livro, apague a televisão ou qualquer elemento que possa ser distrativo daquele momento em que se vai dedicar apenas a saborear o prato que está à sua frente.
Coma à mesa. Ponha o seu lugar, o individual, o prato e não descure a aparência dessa refeição que preparou para si.
Aprecie e saboreie cada garfada. Sinta o sabor dos alimentos e a forma como se misturam e se alteram enquanto os mastiga.
Faça uma pausa entre cada garfada.
E se possível, se estiver com outros à mesa, partilhe a experiência de comer com consciência.Afinal, comer pode ser um prazer.
Pode notar que no fim desta refeição consciente talvez tenha comido menos do que é habitual. A sua digestão pode ser melhorada já que mastigou e saboreou cada alimento. E talvez tenha apreciado verdadeiramente a sua refeição.

Catarina Satúrio